quarta-feira, 25 de março de 2015

'Sobram exames, falta política educacional'

Para especialista em educação, a implementação do Exame Nacional de Ingresso na Carreira de Docente é positiva, mas limitada.


Há avaliações demais e políticas de educação de menos no Brasil. A opinião é do economista e especialista em educação Gustavo Ioschpe. Ele afirma que o Exame Nacional de Ingresso na Carreira de Docente, anunciado na semana passada pelo governo federal, não deverá alterar a realidade do ensino no país. Para promover melhorias no setor sem a necessidade de criação de mais um mecanismo de avaliação, o especialista recomenda uma receita curiosa: "Feijão com arroz", ou seja, a adoção de medidas básicas. "Elas provocam impactos significativos no aprendizado", garante. Confira a seguir a entrevista que Ioschpe concedeu a VEJA.com.
Como o senhor julga a iniciativa do Ministério de Educação de instituir um exame para selecionar professores?
Vejo a medida como positiva. É sempre bom dispor de mecanismos acurados de avaliação. Mas o problema da educação brasileira não é a falta de avaliação. Até acho que ela é uma das mais bem avaliadas do mundo e dispõe de muitos instrumentos para isso. As provas aqui são bem realizadas, temos uma competência e uma sofisticação grande na elaboração de provas. O problema é que os resultados dessas avaliações não se traduzem na mudança de políticas públicas e em práticas de sala de aula, o que faz com que não haja melhora efetiva.
Quais as fragilidades desse novo exame?
Uma delas é que a prova é opcional. Fica a cargo dos estados e municípios decidir aplicá-la ou não, o que por si só já é um fator limitador. Mais delicado, porém, é o fato de que, da maneira que foi criada, não mexe na formação dos professores. Imagino que, se aqueles que aplicarem a prova forem muito exigentes, um grande número de professores não conseguirá atingir o patamar desejado. Em algum momento, será necessário reduzir o grau de exigência e assim nada tende a mudar.
Qual seria a saída?
Se essa fosse uma prova aplicada ao fim do curso de graduação, exigindo-se também uma performance mínima do candidato para a obtenção do diploma, teríamos impactos mais relevantes, porque os cursos de formação seriam obrigados a se modificar. Do jeito que as coisas foram colocadas pelo governo, provavelmente os cursos de formação vão continuar a funcionar da mesma maneira. O exame é um passo positivo, mas será mais um mecanismo a acender a luz vermelha, mostrando que os professores não estão tão bem preparados.
É possível identificar, por meio de uma prova, um bom professor?
Nenhuma prova é 100% eficaz, mas é um instrumento positivo. Até hoje, a literatura científica sobre educação ainda não identificou as variáveis que compõem um bom professor. Ainda não conseguimos identificar e isolar de uma maneira quantitativamente rigorosa do que é feito um bom professor. Conhecemos algumas variáveis relevantes, como conhecimento da matéria, formação, práticas de sala de aula: algumas delas são perceptíveis em uma prova, outras, não.
O senhor costuma afirmar que países que deram saltos educacionais o fizeram porque adotaram medidas básicas de aprimoramento, que o senhor chama de "feijão com arroz". Como deve ser preparada a receita brasileira?
Devemos formar bons professores, formar melhor os gestores das escolas e adotar práticas de sala aula cuja eficiência seja comprovada. O que são essas práticas? Usar mais o livro didático e o dever de casa, parar de inventar currículo, parar de fazer com que cada professor seja um pesquisador e invente a própria roda, fazer com que o tempo da sala de aula seja aproveitado de maneira mais eficiente e não usá-lo apenas para colocar matéria no quadro negro, avaliar mais constantemente o desempenho dos alunos, manter bibliotecas nas escolas e nas salas de aula. São medidas básicas, que provocam impacto significativo no aprendizado. 
http://veja.abril.com.br/noticia/educacao/sobram-exames-falta-politica-educacional-avalia-especialista






Reportagem Publicada No Jornal :O Estado de São Paulo


Segunda-feira, 23 de Março de 2015.
 


Tema: Escolas Recorrem à Tutoria para ensinar aluno a estudar


Subtema: Estudo monitorado ajuda crianças e jovens a organizar tarefas e pesquisas; estudantes predem até a respeitar a agenda.(P.A 16).


A proposta é ajudar na organização de tarefas e pesquisas, além de preparar para os testes. Outro objetivo é dar dicas sobre a melhor forma de fixar cada conteúdo. Em matemática, praticar com vários exercícios ajuda no aprendizado, por exemplo. Em geografia, sublinhar trechos do livro e fazer esquemas com os principiais conceitos são boas estratégias.
No colégio Santa Maria, no jardim marajoara, zona sul da capital, a tutoria passou a ser oferecida neste ano, no contraturno,aos alunos do ensino fundamental, do 6º ao 9º ano. "Nesta faixa  etária (de 11 a 14 anos), é difícil mostrar o quanto é importante criar um hábito de estudos”, explica Adriana Tiiziani,coordenadora da escola. Outra vantagem é afastar os adolescentes das distrações extraclasse. "se eles vão para casa, ligam o celular ou a TV”, diz ela.
Carlos Alberto Ohara do 8º ano, já trocou parte das horas de videogame pelos cadernos. ”Eu Sempre fazia a lição de casa, porém não relia a matéria. Não achava que tinha necessidade", admite ele, de 13 anos. "se relemos, vamos lembrar mais e fica mais fácil para a prova", diz.


Segundo a escola, a proposta tem base na neurociência: a estratégia  de estudo  define se o conteúdo fica na memória de curto prazo, como na “decoreba” da véspera do exame, ou de longo prazo. Além da releitura ,há incentivo a tirar dúvidas com o professor-tutor e discutir com os colegas. Essas aulas são cobradas à parte, além da mensalidade. O valor depende do número de encontros na semana.


  • Comentários


Como podemos estudar e entender melhor o que é Política Educacional. Esta reportagem nós mostra de forma clara que quando temos uma Gestão Democrática aberta para dialogo com a sociedade podemos fazer cada vez mais. Como este grupo que se reuniram com esta proposta de dar aquele empurrãozinho nos alunos com mais dificuldades para o aprendizado, inovando e fazendo com que os seus alunos não vão para casa assistir TV ou muito menos ficar em celular ,viram neste projeto que não adianta conteúdo ficar na memória a curto prazo e sim, entender conteúdo Estudado. E assim evitar as questões de exclusão e reprovação e da não permanência do aluno na sala de aula, pois não adianta o Estado oferecer vagas, mas sim acesso, permanência e qualidade Como consta na LDB de 1996 á partir de 2013, a obrigatoriedade de toda criança de 04 á 17 anos o Direito á Educação e além de todos esses direitos também tem que ser  Gratuito. Pois com a politica  resolvemos conflitos e saímos todos vencedores.